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História da Imigração Italiana no Espírito Santo

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30/08/2017 - por Paulo César Dutra

A História da Imigração Italiana no Espírito Santo, no Brasil é contada de várias formas, principalmente para aqueles que vieram para cá e trouxeram com eles as culturas da Itália e contribuíram muito com o desenvolvimento de nosso Estado. Tudo começou no dia 21 de fevereiro de 1874, quando o navio La Sofia chegou a porto de Vitória com 388 camponeses trentinos e vênetos procedente do Norte da Itália. A partir daí, até 1895, milhares de imigrantes italianos chegaram ao Brasil em busca de novas oportunidades, trabalhos e vivências. Entre os que vieram em 1888, estavam o meu bisavó Leopoldo Ghidoni, a mulher Chiara Brunetti e os filhos Clínio, Adriano, Arto Lorenzo, Ernesta, Manfredo, Annunziata e Fulgenzio procedentes da comune de Rubiera, província de Reggio Emilia na região da Emilia-Romanha, na Itália.

Em razão da imigração em massa de italianos para o Brasil, em 2008, através da lei nº 11.687, de 2 de junho de 2008, foi instituído oficialmente o Dia Nacional do Imigrante Italiano no calendário de todo o território brasileiro. A escolha do dia 21 de fevereiro par a comemoração do evento é uma homenagem à expedição de Pietro Tabacchi ao Espírito Santo, em 1874. Grande parte da história da imigração italiana nas terras capixabas pode ser contada a partir dos documentos guardados pelo Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES).
 
Em 1995 a instituição criou o Projeto “Imigrantes Espírito Santo”, que utiliza o método de cruzamento de dados entre as diversas fontes disponíveis para cada imigrante. Um dos produtos gerados é o “Registro da Entrada do Imigrante”, um relatório que traz impressas todas as informações indexadas para cada estrangeiro que entrou no Espírito Santo, permitindo ao solicitante conhecer um pouco mais da história dos seus antepassados.

O projeto contempla os nomes de mais de 54 mil estrangeiros, dentre os quais 36.663 italianos. Destes, 34.920 desembarcaram no século XIX e se estabeleceram em diversos locais. Ao Núcleo de Timbuhy, em Santa Teresa, por exemplo, foram direcionadas 4.197 pessoas. As regiões da Itália que mais contribuíram foram: Vêneto (9.484); Lombardia (4.749); Trentino Alto-Adige (3.213); Emilia Romagna (2.416) e Piemonte (1.235). Os dados podem ser consultados no endereço eletrônico: http://www.ape.es.gov.br/imigrantes.  
A imigração no ES

A primeira expedição de italianos para o Espírito Santo foi batizada com o sobrenome do seu idealizador, Pietro Tabacchi. De acordo com o sociólogo Renzo M. Grosselli, no livro “Colônias Imperiais na Terra do Café”, da Coleção Canaã do APEES, Tabacchi era um italiano oriundo de Trento que já se encontrava no Espírito Santo desde o início da década de 1850, onde adquiriu uma fazenda no município de Santa Cruz (atual Aracruz). Ao observar o interesse do Brasil pela mão de obra europeia ele decidiu oferecer terras para os imigrantes em troca do direito de derrubar 3,5 mil jacarandás para exportação.

Após um longo período de negociação o Ministério da Agricultura autorizou a Província capixaba a firmar contrato com Tabacchi, que por sua vez enviou emissários ao Trentino (Tirol Italiano), à época sob o domínio austríaco, para capitanear famílias daquela região e do Vêneto. Assim, no dia 3 de janeiro, às 15 horas, partia do porto de Gênova o “La Sofia”. A chegada ao Espírito Santo ocorreu no dia 17 de fevereiro e o desembarque se prolongou até 27 do mesmo mês. Em 01 de março começou a viagem até o porto de Santa Cruz, em direção à propriedade de Tabacchi.

Foi a primeira expedição em massa de camponeses da Itália para o Espírito Santo e daria início à epopeia emigratória dos italianos para o Brasil. Porém, os colonos logo perceberam que foram enganados pelas falsas promessas de Tabacchi. Não havia terras preparadas e a situação nos alojamentos era caótica. Esses fatos, somados a uma difícil travessia pelo Atlântico, foram ingredientes que culminaram na primeira revolta. O descontentamento era grande e a rebelião só foi contida pela ação da força policial. Por outro lado, os imigrantes obtiveram informações sobre as colônias oficiais, nas quais teriam melhores condições de trabalho e a oportunidade de serem donos dos seus lotes.
 
A Expedição Tabacchi inaugura um novo movimento migratório. Desta vez, o foco dos agenciadores se concentra na península itálica, especialmente nas regiões norte-nordeste, de onde partiram aos milhares para diversos países do mundo e, em um número considerável, para o Brasil. A Itália recém-unificada era um país desconexo, com altas taxas demográficas e uma grande massa de desempregados. Sem alternativas, muitos viajaram para realizar o “sonho da América”. Em 1875 as partidas dos transatlânticos de Gênova e de outros portos da Europa se tornaram rotinas. No Espírito Santo ocorreu a entrada de 1.403 colonos nesse ano.

Entre 1870 e 1920, momento áureo do largo período denominado como "Grande Imigração", os italianos corresponderam a 42% do total dos imigrantes entrados no Brasil. Os principais motivos que trouxeram os italianos ao Brasil foram a crise econômica na Itália, principalmente no norte da Itália devido ao período da Revolução Industrial na Europa; a oportunidades e perspectivas novas de vida e trabalho e a necessidade de mão-de-obra qualificada para substituir a mão-de-obra escrava (que havia sido abolida em 1888). 

Verificou-se na época a necessidade de documentar oficialmente os procedimentos: ofícios, cartas, contratos, relatórios, listas de passageiros dos navios e hospedarias e passaportes. Com isso, os materiais gerados para o controle administrativo das ações referentes ao fluxo migratório, em suas diversas etapas, tornaram-se registros para o resgate da história de cada família e indivíduo. A memória esta guardada e preservada pelo APEES.

Leopoldo Ghidoni
 
E foi no dia 20 de novembro de 1888, no final do outono  , na Itália, que o lavrador Leopoldo Ghidoni, com a mulher Chiara e os  filhos Clínio Ghidoni, 14 anos, Adriano Ghidoni, 13 anos, Arto Lorenzo Ghidoni, 10 anos, Ernesta Ghidoni, 8 anos, Manfredo Ghidoni, 7 anos, Annunziata Ghidoni , 5 anos e Fulgenzio Ghidoni,4 anos, saíram   de Rubiera, província de Reggio Emilia na região da Emilia-Romanha, na Itália,  com destino ao Porto de Gênova, em Gênova, na Itália. O irmão de Leopoldo, o  lavrador Licínio Ghidoni, embarcou no navio, mas não chegou ao Brasil. Provavelmente morreu durante a viagem.
Eles deixaram o porto de Genova, no navio francês Canton com destino ao Brasil, no dia 4 de dezembro de 1888. Após 24 dias de viagem eles chegaram ao porto da cidade do Rio de Janeiro, na Província do Rio de Janeiro, Brasil, no dia 25 de dezembro de 1888. Eles foram alojados na Hospedaria dos Imigrantes da Ilha das Flores, onde passaram o Natal e o Ano Novo. No dia 7 de janeiro de 1889, Leopoldo, a mulher e os filhos, embarcaram no vapor Araruãma, com destino à Província do Espírito Santo. No dia 8 de janeiro de 1889, desembarcaram no porto de Vitória e foram alojados na Hospedaria dos Imigrantes de Pedra D’água (hoje a desativada penitenciária do Instituto de Readaptação Social Jair Etiene Dessaune), no bairro Glória, em Vila do Espírito Santo (hoje Vila Velha). No dia seguinte, seguiram de canoas motorizada, pelo rio Santa Maria da Vitória, que era navegável até o porto de Cachoeira, em Santa Leopoldina, onde pernoitaram.
Do porto de Cachoeira de Santa Leopoldina os imigrantes recebiam punhados de roscas para sua alimentação e seguiam, a pé ou no lombo de animais, carregando às costas seus pobres pertences ou haveres, em um percurso de 22 quilômetros até Santa Teresa. Depois desciam pelo rio Perdido até o rio Santa Maria do Rio Doce, passando por São Roque do Canaã, e seguiam até a concentração na Barra do rio Mutum, onde o chefe da Colonização, Dr. Gabriel Emílio da Costa, distribuía os lotes aos imigrantes do Núcleo Colonial Antonio Prado (Hoje conhecido como Mutum, mas registrado como Boapaba, distrito de Colatina).
Ali os Ghidoni iniciaram o desmatamento para preparar o terreno para plantar e colher, para sobreviverem, enfrentando, além de animais ferozes, as doenças, como a malária. Não existe nenhuma informação oficial de que se Leopoldo Ghidoni adquiriu do Governo as terras para alojar a família. 
Sabe-se apenas por ouvi dizer, que Leopoldo e Chiara se estabeleceram como agricultores em Antonio Prado. Dois anos depois, em 19 de julho de 1891, nasceu o meu avô, filho caçula do casal imigrante, que foi batizado com o nome de Pedro Ghidoni. Chiara morreu em 1895 e Leopoldo, em 1897, porém não existem registros oficiais dos óbitos do casal. 

Pedro e Mathilde Pretti

 Pedro Guidoni, como era muito pequeno ainda, órfão de pai e mãe, foi criado pelos tios Gildazio Brunetti e Serafina, até alcançar a maior idade, quando se casou com Mathilde Pretti em 1910. Casado ele ficou morando provisoriamente nas terras do irmão Clínio, mas produzindo na lavoura o seu sustento e da nova família. Nesta propriedade do irmão,     nasceram os filhos  Maria Cleonice Ghidoni em 22 de setembro de 1911;  Cesar Ghidoni em 14 de novembro de 1913;  Amélio Ghidoni em de 14  de abril de 1915;    Paulo Ghidoni em 25 de  junho 1916 e Linda (Olinda) Ghidoni (minha mãe) em 4 de outubro 1918. Na  propriedade de Pedro, nasceram Olga Ghidoni em 3 de abril de 1921.;  Holdar Guidoni em 1922 e Hilário Ghidoni nasceu em 25 de  junho de 1923.

 
Imigrantes embarcando no porto de Gênova

 

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