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Caminho do Pior Desastre Socioambiental do País

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12/12/2016

Por: Redação*

Após um ano, Estado de Minas refaz caminho do pior desastre socioambiental do país e revela, pelas histórias de 10 atingidos pela tragédia, que a água baixou, mas a mancha de lama segue impregnada em comunidades e no meio ambiente, sem data para ser apagada. 

Mariana, Barra Longa, Naque, Governador Valadares, Resplendor e Linhares (ES) - Um ano se passou, a água baixou, o barro secou, o socorro não veio, a recuperação não veio, a despoluição não veio. E agora? A tentação de completar a pergunta apenas com o "José", do poema de Carlos Drummond de Andrade, deixaria de fora uma multidão de Marias, Antônios, Geraldos, Sandras, Robertos, Carlos, Níveas, Leônidas... enfim, toda uma população assolada pela lama de rejeitos de minério de ferro despejada pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, que ainda é atormentada pela incerteza de algum dia retomar seus antigos hábitos e meios de subsistência. 

No dia 5 de novembro deste ano, um sábado, a maior tragédia socioambiental brasileira chegou ao marco de 12 meses, e a onda que provocou 19 mortes ao invadir os rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce até chegar ao mar ainda é um tormento presente. Para mostrar a mancha deixada nas vidas de quem teve o infortúnio de estar no caminho do tsunami, o jornal Estado de Minas refez o trajeto do desastre e revela como os dramas de 10 pessoas afetadas, entre Minas Gerais e o Espírito Santo, personificam os laços comunitários rompidos, a cultura e a memória devastadas e os ecossistemas dizimados pelo vagalhão de restos da mineradora Samarco.

Gente que continua garimpando na lama fragmentos de sua história familiar, como a comerciante Sandra Dometirdes Quintão, de Bento Rodrigues, o caseiro Roberto Carlos de Paula ou a lavradora Nívea Aparecida da Silva, de Paracatu de Baixo. Seguindo o curso da tragédia, revolta e impotência tiram o sono de Antônio Luiz Gonçalves, dono da única casa não reformada na praça principal de Barra Longa. Rio abaixo, José Gonçalves, que pesca em Naque, lamenta a drástica redução dos peixes, enquanto Éber da Silva, em Baguari, distrito de Governador Valadares, gasta da própria aposentadoria para manter tanques com 40 mil espécimes resgatados da maré mortal, sem apoio oficial nem previsão de soltura.

Na sede de Governador Valadares, maior cidade da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, Maria Luíza dos Santos mora ao lado do sistema de tratamento de água, mas não tem coragem de usar o líquido que escorre da torneira nem para escovar os dentes. Na aldeia dos índios Krenak, em Resplendor, ninguém mais compra os queijos de Maria dos Santos, porque o gado mata a sede no rio enlameado. É o mesmo tom vermelho que observam Leônidas Carlos e Carlos Sangalia, em Regência, no Espírito Santo, entristecidos ao observar rio e mar poluídos, deixando de prover sustento para pescadores e moradores da pequena comunidade. Todos foram atingidos, e ainda são ameaçados pela falta de segurança e de ações de recuperação. E agora?

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