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Quem é Jacintho, Homenageado por Gilberto Gil, o Fazendeiro Acusado de Matar Marcos Veron

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21/05/2022

Enviado pela Agência Cajuí - sistemas@pr.comuniquese1.com.br 
19 de mai. de 2022 18:04 (há 11 horas)
 
Falecido em 2019, aos 102 anos, Jacintho Honório da Silva Filho é apontado como mandante do assassinato do líder Guarani Kaiowá; família vive “dolce vita” entre São Paulo e Londres, com festas de gala e amizade com celebridades e um barão Rothschild

*Por Bruno Stankevicius Bassi e Mariana Franco Ramos
 
Lançada no álbum “OK OK OK”, de 2018, a música “Jacintho” é uma homenagem de Gilberto Gil, cantor e compositor internacionalmente aclamado e ganhador de dois prêmios Grammy.
 
A canção ganhou um clipe onde Gil conta que a composição foi um presente ao amigo Jacintho Honório da Silva Filho, que completara 100 anos de idade em outubro de 2016. A canção seria performada pela primeira vez na festa de gala que marcou o centenário do fazendeiro, mas Gil não participou por motivos de saúde. O vídeo exibe fotos dos bois e fazendas que Jacintho acumulou ao longo da vida. Mas algo ficou de fora.

Gil e a esposa Flora com Jacintho e a esposa Vanda (Foto: Reprodução)
Há mais de duas décadas, Jacintho e sua família protagonizam um dos maiores conflitos fundiários do Brasil. O fazendeiro é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como mandante do assassinato do cacique Marcos Veron, líder histórico do povo Guarani Kaiowá, assassinado em 2003 por funcionários da Fazenda Brasília do Sul e por pistoleiros, que o espancaram até a morte durante tentativa de retomada do território. Denunciado por homicídio duplamente qualificado, o fazendeiro teve sua pretensão punitiva prescrita em junho de 2013, em função da idade avançada, e nunca foi julgado.
 
A violação dos direitos indígenas no Mato Grosso do Sul e os negócios internacionais por trás da disputa pela Terra Indígena Taquara são tema do relatório “Sangue indígena: A verdade incômoda por trás do frango exportado para a Europa”, lançado no dia 11 pelo De Olho nos Ruralistas, em parceria com a ONG britânica Earthsight.
 
Ao longo de um ano, a pesquisa registrou as cadeias de exportação que ligam a soja produzida no território reivindicado pelos Guarani Kaiowá à importação de frango por varejistas e redes de fast food na Europa. A reportagem também percorreu os outros negócios da família: da pecuária no Pantanal, tema da próxima reportagem, ao apoio declarado ao presidente Jair Bolsonaro, passando pela amizade com ministros, celebridades e até mesmo um barão Rothschild.
 
Confira abaixo, no vídeo, um resumo desta história:
 
FESTA DE 100 ANOS DO PECUARISTA REUNIU ALTA SOCIEDADE PAULISTANA
 
Enquanto os Kaiowá vivem um cotidiano de ameaças e incertezas no Mato Grosso do Sul, os herdeiros de Jacintho Honório da Silva Filho desfrutam de uma “dolce vita” em São Paulo. A matriarca da família, Vanda Moraes, as três filhas do casal – Márcia, Monica e Cacilda –, as netas e os genros são presença constante nas colunas sociais, patrocinando festas suntuosas ao lado de políticos e celebridades no luxuoso bairro dos Jardins, berço da alta sociedade paulistana. Todos têm ligação umbilical com o agronegócio.
 
Jacintho faleceu em meados de 2019, perto de completar 103 anos. Seu filho, o pecuarista Jacinto Honório da Silva Neto, conhecido como Jacintinho, morreu em março de 2020.
 
Com direito a cobertura do portal Glamurama, a festa de 100 anos do patriarca, em outubro de 2016, reuniu personalidades como o ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, a ex-modelo e estrela de campanhas da Victoria’s Secret Isabella Fiorentino, o representante da montadora britânica Bentley no Brasil Wladimir Nikolaieff e seu sócio, o “conde” Chiquinho Scarpa, famoso por “enterrar” um carro da marca em uma ação de marketing.
 
Entre os mais de 800 convidados, a festa black tie contou com a presença ilustre de um representante da dinastia Rothschild. Figura comum nas festas da família Jacintho, o ex-banqueiro Philippe de Nicolay Rothschild é filho adotivo de Guy de Rothschild. Vivendo no Brasil desde 2010, Phillipe atua representando os interesses da família, seja importando vinhos da Domaines Barons de Rothschild, seja assessorando a Rothschild & Co, quarta maior consultoria de fusões e aquisições em atividade no país.



Outra habitué das festas do clã Jacintho é a empresária Flora Gil, esposa de Gilberto Gil. Os dois são constantemente fotografados em encontros privativos com a matriarca Vanda, com quem mantêm uma amizade antiga.
 
Procurado através de sua assessoria, o cantor não deu retorno até o fechamento da reportagem. Solicitados para oferecer um posicionamento sobre o relatório, representantes da família Jacintho informaram que não responderiam à publicação. Uma das netas do patriarca, a estilista Vanda Jacintho, chegou a mencionar que entraria com uma ação judicial caso tivesse o nome mencionado no relatório, alegando falta de “interesse público”.
 
ESTILISTA EM LONDRES, NETA É PERSONAGEM FREQUENTE NA VOGUE
 
As duas filhas de Márcia Morais atuam no mundo da moda. A estilista Vanda Jacintho Duarte Goulart, que leva o nome da avó, mora em Londres, onde desenha joias e roupas. A estilista define sua marca como “uma marca de moda para a noite e resorts de luxo, feitas para viajar pelo mundo”. Ela vende para grandes magazines europeias, como a britânica Koibird, as francesas Karry Gallery e Anne Deauville e a italiana Luisa Via Roma.
 
Com preços variando entre £190 a £720 (R$ 1.170 a R$ 4.430), a designer começou a carreira aos 17 anos, quando foi selecionada para auxiliar a editora de Moda da Vogue Brasil. A revista, aliás, costuma publicar todos os passos da herdeira, do lançamento de coleções à inauguração da primeira loja, em maio de 2019.
 
Em 2016, por exemplo, a estilista abriu as portas de seu guarda-roupa e elegeu, para a Vogue, “peças vintage favoritas herdadas da mãe e da avó”. Ela fala mais sobre o assunto em uma entrevista dada à Revista da Folha, em 2008, reproduzida de artigo da socióloga Carolina Pulici:
 
— Vanda Jacintho mora nos Jardins, dorme numa imensa cama de jacarandá que pertenceu ao avô e dispõe de um closet cuja maioria das peças era da avó: nove bolsas Chanel (das antigas coleções), sete vestidos do estilista Markito, peças das grifes Hermès, Ferragamo, Puccis, Elle et lui e biquínis da Beach Couture, que ‘também carrega o perfume de outras gerações’ e que, mais comportados, ‘são biquínis para moças finas. Fazem sucesso em lugares como Dubai, Grécia, Irlanda e Sul da França’. Amadora de Ella Fitzgerald e Billie Holliday, ‘Vandinha’, 28 anos, é retratada como alguém que se formou em marketing de moda pela London College of Fashion, mas que, malgrado tal aprendizado formal das artes indumentárias, foi mesmo é com a avó que aprendeu que ‘estilo é como castelos, não se compra, se herda’”.
 
MODA, BOIS E JOÃO DÓRIA
 
Junto ao irmão Pedro e os pais Klauss e Márcia, Vanda é sócia na Agropecuária Novo Agro Ltda, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, no coração do Pantanal. Também estilista, a irmã Stella não entrou na sociedade.
 
Ela é uma das criadoras da Thelure, grife feminina voltada para “meninas ricas e bem-nascidas”, conforme reportagem da Veja SP, de fevereiro de 2017. O negócio acumulou dívidas fiscais de cerca de R$ 15 milhões por impostos devidos. A empresa foi então vendida para o grupo Moda Brasil, mantendo Stella no posto de diretora de estilo.
 
Em janeiro de 2019, a socialite tornou-se assessora técnica da Secretaria de Governo de São Paulo, na gestão de João Dória, pré-candidato à presidência pelo PSDB. Menos de um ano depois, teve seu contrato rescindido e hoje se dedica a trabalhos voluntários. É conselheira da Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários (Afesu) e embaixadora da Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade (ARCAH).
 
A família, aliás, já tentou abrir uma ONG. Anunciada pela matriarca Vanda Jacintho em 2003, a União em Defesa do Estado de Direito nunca chegou a se formalizar. Criada com o objetivo de resolver o conflito com os Kaiowá na Fazenda Brasília do Sul, a iniciativa naufragou após o assassinato de Marcos Veron.

Sobre o De Olho nos Ruralistas

Fundado em 2016, é um observatório do agronegócio no Brasil. De seus impactos sociais e ambientais. Do desmatamento à expulsão de camponeses, da comida com agrotóxicos à violação de direitos dos povos indígenas.

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