1. capa
  2. Negócios
  3. Economia
  4. Política
  5. Ambiental
  6. Cidades
  7. Opiniões
  8. Cultura
  9. Oportunidades
  10. vídeos

Revistas Científicas “Predatórias” e Culto ao Currículo

enviar por email

10/03/2016


Por: Bárbara J. P. Borges, A. Alberto R. Fernandes

A pesquisa científica no Brasil e no mundo é responsável por gerar novos conhecimentos ao responder, discutir e refutar as questões elaboradas pelos cientistas. Em última e sublime instância, pode-se dizer que a prática da ciência (e os seus praticantes) anseia(m) pelas melhores soluções para os mais diversos problemas e dos seres da sociedade; resultados estes que, em regra, exigem anos de muita dedicação e esforço do/a cientista.

O/a pesquisador/a não possui só o desafio de realizar sua pesquisa, de executar seus projetos. Precisa também publicar, publicar e publicar. Em inglês tem a máxima: "Publish or Perish". E, ainda, angariar fundos para sua pesquisa – o que, em geral, recebe na proporção direta da extensão e do volume de sua “produção” (produção de qualidade? – fica a dúvida...). Outra pergunta relevante é: Qual profissional do setor público, seja no poder executivo, legislativo ou judiciário,é responsável por estruturar o seu ambiente de trabalho, com a necessidade de  concorrer em editais para comprar o seu computador ou obter bolsas de estudos para seus assessores? Vamos parar os exemplos por aqui! 

Este cenário fez surgir um verdadeiro mercado “paralelo” à ciência – a reunião de alguns veículos de divulgação científica, os quais se denominam revistas predatórias, envolve critérios de avaliação duvidosos e obscuros. Nesse passo, o nicho vem crescendo e ampliando a prestação de serviços, na maioria das vezes, obrigatórios e vinculados à publicação, como a revisão de idioma (a maioria das publicações científicas são realizadas em inglês), análise de plágio e adequação de formatação, dentre outros. Alguns órgãos e instituições não oficiais vêm divulgando listas de supostas revistas e publicações caracterizadas por estas condições, isto é, relação de revistas consideradas predatórias. Porém, é preciso cautela. Na grande maioria dos casos para publicar nestes veículos o pesquisador tem que pagar uma quantia razoável e em geral esse recurso vem do seu próprio salário. 

Diz-se isso porque a carreira não coincide, necessariamente, com o currículo; currículo, este, pelo qual se avalia o/a cientista, e também por meio do qual ele/a é conhecido, selecionado/convidado (para palestras, composição de bancas examinatórias, etc), premiado, divulgado e reproduzido como detentor de boa ou má “fama”. Afinal um dos principais, senão o mais importante, veículos de divulgação do trabalho desenvolvido nas instituições de ciência e tecnologia é a publicação em jornais e revistas científicas. E, são as inúmeras (e, criteriosas?) publicações que constam do currículo, o que torna ainda mais relevante a discussão sobre a influência de tais revistas no ambiente acadêmico, sendo crescente a preocupação com a qualidade dessa produção. 

Assim, de um lado, tem-se tão belo prospecto acerca do ideal de ciência, de outro, passa-se pela árida realidade de uma construção curricular limitada, de uma formação profissional deficitária de estudantes (ou pesquisadores/as?)na pós-graduação, de incontáveis dificuldades infraestruturais e organizacionais que acabam por fomentar, indiretamente, o mercado de publicações predatórias para divulgação da ciência e do conhecimento. Há grande preocupação com a propagação de informações e dados de modo descompromissado e irresponsável. 

E, este quadro não é pintado apenas em verde e amarelo. Em certa medida, os/as pesquisadores/as efetivamente enfrentam, em todo o mundo, este obstáculo à constituição de uma carreira consistente e robusta. Ao/à cientista comprometido/a com a ética e propagação séria da ciência, é necessário criterioso julgamento e análise detida para eleição do veículo no qual será divulgada sua (quase sempre) árdua pesquisa, para que, na ânsia de “cultuar o currículo”, não acabe por prejudicar sua carreira e a própria elaboração dos novos conhecimentos. 

Para terminar, muitas pessoas estão se aproveitando para o enriquecimento fácil usando do que é mais caro para a humanidade: seu conhecimento.

Prêmio Estácio de Jornalismo Encerra Período de Inscrição

Com recorde de reportagens, o Prêmio Estácio de Jornalismo encerrou o prazo para inscrição no dia 25/06. No total 386 reportagens vão concorrer em 9 categorias...


Brasil de Tuhu traz Animação e Música para Vitória – ES

Entre os dias 15 e 18 próximos, o Brasil de Tuhu estará no município de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, no Brasil, para uma série de eventos que inclui vivência musical...


Fibria Apoia Ação cultural na Escola Caboclo Bernardo, em Aracruz

Os alunos da Escola Caboclo Bernardo, no distrito de Barra do Riacho, no município de Aracruz, no Estado do Espírito Santo, no Brasil...


O Canto de Cirinho do Rio Doce

O show “O Canto do Vale do Rio Doce” do artista capixaba Cirinho é um resgate da regionalidade do rio Doce através de temas ecológicos e tradições culturais.


Lava Jato: Acusado, PH Presta Depoimento na PF em Brasília

O governador Paulo Hartung (PMDB) prestou depoimento à Polícia Federal em um Inquérito Policial instaurado para apurar distribuição de propina por parte da empreiteira OAS...


Ver mais