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Como Salvar a Natureza no Brasil e o Clima na Terra

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21/09/2015

        Destruição de florestas não é sinônimo de desenvolvimento. O governo resiste a liquidar de vez a devastação, o que daria novo impulso à luta contra mudança do clima. 

        Na Amazônia Legal, a destruição recuou mais de 80% em uma década, mas empacou no limiar de 5.000 km² por ano. No cerrado a redução foi menor, de 54%. Ainda se devasta a savana brasileira com mais afinco que a floresta amazônica, à taxa de 6.000 km² anuais – uma área maior que a do Distrito Federal. No corte raso das matas, mais cedo ou mais tarde, madeira, folhas e raízes se convertem, pela queima ou pelo apodrecimento, em gás carbônico (CO₂) e outros gases do efeito estufa (GEE). Com a contenção do desmatamento, atividade que já representou 70% das emissões brasileiras de GEE, essa fatia encolheu para 35% do total. No entanto, o desflorestamento ainda é o que mais contribui para o aquecimento da Terra no Brasil. Ou seja, o Brasil é o herói das florestas tropicais, mas continua campeão de desmatamento no mundo.

        Aqueles 11 mil km² destruídos a cada ano não são o preço a pagar pelo desenvolvimento do país, ao contrário do que muita gente acredita. Pará e Mato Grosso, Estados amazônicos onde mais se desmata, geram só 2% do PIB nacional e têm 5,6% da população, mas produzem 22% dos gases do efeito estufa que fazem do Brasil o sexto ou sétimo maior poluidor climático do mundo (a depender da lista que se consulte).

        É nessa posição ambígua que o país vai anunciar suas metas para a Conferência de Paris, reunião da ONU em dezembro próximo, para adotar um acordo sobre a mudança do clima que substitua o ultrapassado Protocolo de Kyoto.

Limite de segurança

       Cada uma das 194 nações que participam da negociação tem de apresentar suas “contribuições pretendidas e nacionalmente determinadas” (INDCs, na sigla em inglês). Somadas, essas promessas deveriam ser suficientes para manter o aquecimento da atmosfera em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais, mas os INDCs até aqui divulgados indicam que ele ultrapassará a marca de 3°C. Falta ambição, portanto.

        O Brasil, nos piores anos de desmatamento na Amazônia, chegou perto de lançar na atmosfera 3 bilhões de toneladas de CO₂ ou outros GEE convertidos a esse gás-padrão (abreviadamente, 3 GtCO₂eq). Caminhou, contudo, para uma posição confortável: em 2013, segundo o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg, iniciativa da rede de ONGs Observatório do Clima), houve emissão de 1,59 GtCO₂eq –menos de 8 toneladas por habitante a cada ano, perto da média mundial.

        As emissões brasileiras caíram por causa da redução no desmatamento, mas continuam subindo em outros setores, tendo à frente o da agropecuária (sem contar a destruição de florestas) e o da energia (por causa dos transportes e das usinas termelétricas). Se nada mais for tentado, calcula-se que voltariam em 2030 aos 3 GtCO₂eq.

        Reduzir o desmate a zero, em termos absolutos, permitiria subtrair mais de 500 milhões de toneladas dessa conta a cada ano. Mas também seria necessário fazer muita economia de carbono na pecuária e incentivar energias renováveis, como a dos ventos (eólica) e a da radiação solar (fotovoltaica), para que o país diminuísse, em vez de aumentar, a parte que lhe cabe no latifúndio do aquecimento global.

Sem compromisso

        O governo Dilma Rousseff, no entanto, não avança nessa direção, como já havia deixado claro há um ano quando refugou a Declaração de Nova York sobre Florestas e a proposta de desmatamento zero nela contida. Em junho, ao encontrar-se com Barack Obama em visita aos EUA, a presidente explicitou seu tímido compromisso em favor do clima: desmatamento ilegal zero até 2030.

        Ao incluir o qualificativo “ilegal” na expressão consagrada, o Estado brasileiro sinaliza que só tem expectativa de ver a legislação florestal plenamente respeitada daqui a 15 anos. Admite, assim, que permaneçam milhares de quilômetros quadrados de devastação a cada ano.

        O governo propõe que a destruição tolerada seja compensada com o sequestro de carbono na restauração de 120 mil km² de matas (ao crescer, árvores retiram CO₂ do ar pela fotossíntese). Florestas demoram para se formar, contudo, e alguns especialistas estimam que seria necessário recompor 30 km² para sequestrar o carbono de cada quilômetro quadrado desmatado.

        Há propostas bem mais audaciosas na praça. O Observatório do Clima, baseado nos números do Seeg, traçou um plano detalhado para não só impedir que as emissões nacionais cresçam como também para diminuí-las. A rede de ONGs calcula, setor por setor, como chegar a 1 GtCO₂eq em 2030, quando cada brasileiro estaria emitindo pouco mais de 4 toneladas anuais de CO₂ –uma cifra considerada factível também pelo respeitado climatologista Carlos Nobre.

        Um papel preponderante nesse esforço caberia à pecuária, apontada como maior responsável pelo desmatamento na Amazônia. Com reforma de pastagens degradadas, rodízio de pastos e suplementação alimentar para o gado, o estudo “Cenários para Pecuária de Corte Amazônica”, da UFMG, estima que seria possível aumentar o rebanho de 212 milhões de cabeças para 250 milhões, ao mesmo tempo em que se diminui a área ocupada de 2,2 milhões de km² para 1,74 milhões de km², liberando 460 mil km² para a agricultura de grãos.

        No processo, a criação de gado deixaria de induzir desmatamento e ainda capturaria carbono da atmosfera na forma de matéria orgânica acima do solo (folhas) e abaixo dele (raízes). O Observatório ABC (Agricultura de Baixo Carbono) estima que a recuperação de 520 mil km² de pastos degradados no Brasil possibilitaria evitar a emissão de 0,67 GtCO₂eq e ainda armazenar 1,1 GtCO₂eq ao longo de dez anos –o total de 1,77 GtCO₂eq vale mais de 13 meses de emissões brutas nacionais hoje.

        É por essa razão que a atrasada pecuária amazônica ocupa o primeiro dos quatro capítulos desta reportagem multimídia. Assim como nos outros três textos (áreas protegidas/terras indígenas; madeira; e assentamentos de reforma agrária), o objetivo é menos o de denunciar a continuada destruição de florestas que o de revelar como já se tornou possível combater o desmatamento ao mesmo tempo em que se melhora a saúde do clima mundial, a vida e a produtividade de quem vive na Amazônia.

Mais do mesmo

        O gargalo são as políticas públicas. A dificuldade de reconduzi-las para o rumo correto parece ser a razão tanto da resistência em Brasília a adotar metas mais ambiciosas para o desmatamento quanto do ceticismo de alguns especialistas com sua viabilidade. 
Um deles é Gilberto Câmara, que já presidiu o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e hoje lidera um esforço para modelar com computadores o uso da terra no Brasil e suas consequências para o clima. “Pedir o céu e jogar para a plateia é fácil”, diz Câmara. “Difícil é fazer como fizemos no caso da redução do desmatamento: estabelecer uma política dura e conseguir mantê-la contra todos os ventos e eventos.”

        Já para Tasso Azevedo, do Observatório do Clima/Seeg, “com esforço, mas sem sacrifício”, por meio da recuperação de áreas degradadas, a pecuária poderia estar emitindo entre 0,2 e 0,3 GtCO₂eq em 2030, no lugar de 0,8 GtCO₂eq projetada no cenário “mais do mesmo”.

        O governo Dilma Rousseff tem uma escolha a fazer. Pode ousar com uma meta de desmatamento zero, de verdade, enfrentar a ventania doméstica e destacar-se em Paris como uma nação que faz mais do que o previsível para descarbonizar sua economia. Mas também pode abrigar-se das intempéries e ficar deitado no berço nada esplêndido do desmatamento ilegal zero e da tolerância com 11 mil km² de devastação improdutiva a cada ano.
(Com informações do Especial Folha-SP). 

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