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Borboletas ao Vinho Madeira

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09/06/2016 - por Nancy Araújo de Souza

Faz três noites que acontece e não consigo explicação para o fato. Três madrugadas consecutivas. Antes do amanhecer, acordo e fico sem saber se já dormi o bastante, se tive um pesadelo, ou se algum barulho causou meu despertar. Pesadelo, logo descarto pois não sinto o incômodo do coração disparado. O que será?

Não me preocupo procurando explicações. Apenas a lembrança de que o tempo está passando muito rápido e em breve tenho que partir. Isso me deixa um pouco angustiada. Talvez seja o inconsciente me avisando que preciso aproveitar mais o tempo que se vai. Pra que perder tempo dormindo? Até que o sono volte, ponho-me a pensar no que vou deixar por aqui. Não vou perder nada, vou ali, depois volto e retomo tudo novamente: amigos, pedrinhas dos calçamentos que me encantam, o mar, as praias tão diferentes das nossas, os parques, as flores, os eventos culturais, os poetas, a música…

Quando me lembro da música, o pensamento me leva ao grupo das Tertúlias de Cantigas Portuguesas, ao Xarabanda e ao  mágico, o mais recente amigo. Na Feira do Livro soube da sua existência na tenda da Associação Xarabanda onde o Rui nos falou sobre os instrumentos musicais madeirenses. Também falou sobre o mágico, seu amigo, que além de fabricar instrumentos  se dedica à recuperação e conserto de outros. 

O encontro foi casual. Passando na rua onde fica sua oficina, vindo de passeio com nossa grande amiga e guia madeirense, um objeto, parece que um esquadro, despertou a atenção da minha sobrinha que parou e nos chamou. Já na porta, vimos o homem que respondeu ao nosso cumprimento com um belo sorriso e nos permitiu entrar. Então foi puro encantamento…

Sua oficina é um recanto de magia  e ele é um mágico reconhecido na Madeira e em muitas partes do mundo por seu trabalho primoroso . Tem instrumentos espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil. Ficamos ali algumas horas, nem sei quantas, ouvindo aquele homem falar do seu ofício. Por toda parte se vê os violões (que aqui são chamados violas), os cavaquinhos, (braguinhas), rajões, violinos, rabecas, e um instrumento singular criação sua,o Brajão metade cavaquinho e metade rajão com dois braços, um em cada extremidade, para ser tocado por dois músicos ao mesmo tempo.

Ele nos apresenta seu templo de magia. Anda conosco pelo ambiente  mostrando tudo, fala de afinações, de tipos de madeira, explica como se faz um violino, nos dá a conhecer as madeiras próprias para cada  instrumento. O canto onde guarda as madeiras tem espécies de várias partes do mundo, algumas raríssimas, às quais ele dedica carinho e cuidado extremos.

Permite-nos fazer fotos dele e do lugar. Também nos fotografa. Quando dizemos que estamos atrapalhando seu trabalho, ele com  generosidade e gentileza diz algo mais ou menos assim: “ Não atrapalham, o ofício é só o pretexto. O mais importante são as pessoas e tudo no mundo deve servir para aproximá-las”, por isso deixa o trabalho e gosta de conversar. Fico de boca aberta. 

Como é um criador de instrumentos musicais, seu interesse por música é evidente. Conhece música brasileira como poucos e seu cantor preferido, que também é o meu, é Paulinho da Viola. Neste momento  rimos muito da coincidência e descobrimos que somos almas gêmeas e viemos do mesmo planeta, segundo ele. Fico orgulhosa e convencida por ter algo em comum com o homem que procura no computador um disco do cantor e cantamos juntos “Vela no Breu”. Indico-lhe o que tem “Novos Rumos” e ele o encontra. Ficamos conversando sobre música brasileira e quando ele põe Silvinha Teles pra cantar eu quase que desmorono na cadeira. Adorei. Não a ouvia há anos..,
 
O mágico dos instrumentos conhece os discos mais importantes da música brasileira, compositores, cantores, etc . Vai falando, e eu vou ouvindo encantada, perdendo a metade do que ele diz porque não consigo me concentrar. O encantamento e admiração fazem isto. As palavras se perdem entre as pequeninas borboletas que penso, se formam em sua boca e saem  voando no meio das frases que não consigo ouvir direito tão perdida fico entre palavras e borboletas.  Tento segui-las com os olhos desejando também me transformar em uma e voar com elas na mesma direção ou em sentido contrário. Puro encantamento.

Agora sei a razão de haver tão poucas borboletas na Madeira apesar de tantas flores: vivem no coração do mágico e só saem quando ele fala de música.. Será que saíram dali misturando-se às palavras porque sabem que adoro borboletas e fico feliz quando as vejo? Será que não eram borboletas e sim, mais uma mágica?  Não sei. Sei que perdi metade da sua aula sobre música brasileira por puro encantamento, ele que me perdoe se um dia souber disso.

Quando ele abriu a garrafa de vinho e nos ofereceu, mesmo sem taças, como recusar? Pela primeira vez experimentei uma bebida pelo bico da garrafa e achei uma maravilha. A garrafa rodou e ele  continuou falando de  música brasileira e internacional. Eu ouvindo mais ou menos, perdendo quase tudo o que ele dizia por culpa do vinho. Aí então as borboletas parece que voaram com mais vigor e agora com cheiro de vinho Madeira. O mágico falando e eu encantada quase voando com as borboletas. Borboletas ao Vinho Madeira...     

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