1. capa
  2. Negócios
  3. Economia
  4. Política
  5. Ambiental
  6. Cidades
  7. Opiniões
  8. Cultura
  9. Oportunidades
  10. vídeos

Reforma tributária: isenções e renúncias fiscais do governo somam R$ 525 bilhões

enviar por email

29/09/2023

Seminário aponta as diversas disparidades que devem ser corrigidas nas próximas fases da reforma tributária, entre elas as isenções fiscais.

Por Camila Bezerra
jornalggn@gmail.com
Publicado em 28 de setembro de 2023, 18:46
 
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Instituto Justiça Fiscal e sindicatos, promoveu no dia 28 de outubro de 2023, o seminário Reforma tributária para um Brasil socialmente justo, que contou com a participação de Marcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente do IBGE, e Paulo Nogueira Batista, economista, ex-vice presidente dos BRICS e ex-diretor do FMI, para falar para quais caminhos a reforma deveria seguir para reduzir a desigualdade e corrigir injustiças históricas reproduzidas no País há décadas.

Diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Júnior afirmou que o grande debate em torno da reforma tributária é a de como se constitui o fundo público, comumente chamado de impostos, e como ele será dividido na construção de um País mais justo e solidário.

“É muito comum ouvir, das diversas categorias, que precisamos reduzir imposto. É razoável imaginar isso, porque ninguém quer pagar imposto”, observa o diretor.


Porém, o que o brasileiro médio não consegue entender é que, ao pedir mais investimentos na saúde e educação e a redução da carga tributária, a principal forma de financiar estas áreas vem justamente da arrecadação de impostos.

O mesmo acontece com os sindicatos, cuja contribuição está sendo discutida pelo governo. Os trabalhadores, segundo Fausto, não conseguem entender que a taxa serve como uma fonte de financiamento.
 
Desmonte do discurso liberal
Contrariando a tese liberal, de que o aumento da base tributária seria solidária, já que quanto maior o número de contribuintes, menor seria o valor do imposto, o diretor técnico do Dieese mostrou uma série de números que reafirmam a necessidade de se repensar os modelos vigentes.


“Em um país em que 2/3 ganham até dois salários mínimos, estamos dizendo que vamos ampliar a base tributária dos que ganham menos. E a gente não faz este debate, porque dá a impressão de que é uma coisa justa, vamos dividir mais, quando na verdade é o contrário. Vamos ver que os mais ricos são os que menos pagam impostos”, comenta o especialista.

Fausto Jr. observa que, no País, quem mais paga imposto de renda é a base sindical, composta pelos trabalhadores assalariados e a classe média. Ainda que a alíquota seja progressiva, o que o diretor considera justo, a faixa dos mais ricos paga a mesma proporção dos que ganham muito menos.

“Estamos falando que uma pessoa que ganha mais que 320 salários mínimos [R$ 422.400] paga a mesma alíquota de imposto de renda de quem ganha sete salários mínimos [R$ 9.240], ou seja, a base média de um metalúrgico, de um bancário, de um petroleiro e etc. Esse é um enfrentamento que vamos ter de fazer agora na segunda fase da reforma tributária.”

Fausto Augusto Jr., diretor técnico da Dieese

Alíquotas do imposto de renda. Crédito: Reprodução/ Dieese
O dilema dos PJs
Um dos pontos mais criticados ao longo do seminário foi o sistema tributário atual que incentiva o processo de desformalização dos trabalhadores, também conhecido como pejotização, excluindo-os futuramente do sistema previdenciário.


“A questão tributária induz para um lado não daquele que a gente gostaria que fosse. Estamos passando por um processo acelerado de desformalização da mão de obra com incentivo tributário, porque de um lado você tem um MEI, que é um incentivo tributário para deixar de ser assalariado, e de outro lado você tem uma pejotização por um não pagamento de imposto de renda de lucros e dividendos. Parte da classe trabalhadora que ganha um pouco mais, provavelmente por volta de R$ 8 mil, R$ 9 mil, R$ 12 mil, R$ 15 mil prefere ser PJ [pessoa jurídica] para pagar menos imposto. Só que ao ser PJ, ele desfinancia a previdência”, continua Fausto jr.

Marilane Teixeira, economista, doutora e pesquisadora do CESIT/IE-Unicamp, ressalta que um terço da população economicamente ativa não contribui com a previdência, que são justamente os trabalhadores PJ e MEI, que geralmente têm trabalhos precários e, devido à demanda variável, não conseguem arcar com a contribuição mensal do INSS.

“A contribuição do MEI é ridícula e dará direito a um salário mínimo de aposentadoria. São formas disfarçadas de assalariamento, muitas vezes são trabalhos precários”, alerta a pesquisadora.

A reforma tributária deveria antecipar ainda um cenário emblemático causado pelas mudanças climáticas, tendo em vista que mais de 15 milhões de trabalhadores, especialmente das áreas da agricultura, turismo e construção civil serão impactados. Mas, até o momento, não se tem notícias de debates em relação à seguridade social dessas categorias.

Isenções fiscais
O diretor técnico do Dieese ressalta ainda que o maior problema tributário e seus emaranhados não são os 20 tipos de impostos cobrados dos brasileiros, mas a quantidade de regimes especiais, exceções, incentivos e deturpações da legislação tributária.

Um exemplo apontado por Fausto Jr. é o Imposto Territorial Rural (ITR), cujo montante arrecadado é 30 vezes menor que o desembolsado por moradores de áreas urbanas, porém se refere a áreas territoriais muito maiores e, em muitos casos, improdutivas.

“O Estado abre mão de arrecadar meio trilhão [de reais] por vontade própria. Talvez faça sentido. Agora, para incentivar o quê?”, questiona o técnico.
 
Fausto Jr. criticou ainda a defesa até dos sindicatos trabalhistas, que se unem aos patronais na defesa da desoneração da folha de pagamento, sob a justificativa de que uma carga tributária menor geraria mais empregos. “Mas o que a gente viu na prática foi a perda líquida de postos de trabalho. Não se fez um debate de política de contrapartida. Os empregadores até viraram o discurso, dizendo que se acabar o incentivo, vai acabar o emprego.”

Origem das disparidades
Presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann comentou que a luta popular por mudanças no sistema tributário pode alterar a posição do País no mundo, criando possibilidades de produção interna e viabilizar a ampliação do nível do emprego e no nível de renda.


Ele também comentou que o Brasil fez uma reforma tributária na década de 1990, da qual pouco se fala, mas que permitiu a criação de disparidades sociais e injustiças tributárias.

A reforma seguiu um pensamento comum divulgado nos anos 1980, inspirado na proposta de Ronald Reagan de que a redução de impostos dos mais ricos seria reinvestida no Brasil e geraria emprego e crescimento econômico.

“Mas o que de fato ocorreu é que esta redução da tributação e ampliação da renda disponível não foi para investimento e consumo. Na verdade, foi direcionada para o rentismo, para o sistema financeiro. Então veja, na verdade, a maldade que tem no Brasil. A injustiça não é só tributária, porque na realidade a redução, o alívio da tributação permitiu que os ricos passassem a financiar o Estado, não como anteriormente faziam pagando impostos, mas agora através da aquisição de títulos públicos, extremamente muito bem remunerados”, finaliza o presidente do IBGE.

Cesan faz Leilão Bilionário em Junho para Tratar Esgoto de 43 Cidades do ES

O leilão acontece no dia 17 de junho e contará com parcerias público-privadas (PPP’s)..


Brasileiros Podem Pagar Conta de Luz com Preço de “Bandeira Vermelha Permanente”

Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima a elevação do custo de energia em 9% nos próximos 25 anos se vetos..


De Tiradentes em Minas Gerais Para França

Mostrar de cinema mineiro ganha programação especial em Paris, capital mundial do cinema...


Comunicação de Lula não Consegue Reverter Queda da Popularidade

Lula escalou o publicitário Sidônio Palmeira para tentar reverter a queda da popularidade, mas que não tem surtido o efeito esperado...


Comunicação de Lula não Consegue Reverter Queda da Popularidade

Lula escalou o publicitário Sidônio Palmeira para tentar reverter a queda da popularidade, mas que não tem surtido o efeito esperado...


Comunicação de Lula não Consegue Reverter Queda da Popularidade

Lula escalou o publicitário Sidônio Palmeira para tentar reverter a queda da popularidade, mas que não tem surtido o efeito esperado...


Ver mais